OURO

 

No decorrer de sua história, o ouro tem sido encontrado na forma nativa, como pepitas. Achados dessa natureza desencadearam "corridas do ouro" , por exemplo nos EUA. Contudo, o ouro ocorre sobretudo na forma de pequenos grãos de metal disseminados em veios de quartzo. Muitas dessas rochas forma erodidas pelo tempo. O ouro e rochas decompostas são lavadas e arrastadas para cursos de água, acumulando-se como sedimentos nos leitos dos rios. Os grãos de ouro podem ser separados da areia com o auxílio de batéias. O ouro é muito denso (19,3 g/cm3) e se sedimenta rapidamente, mas a sílica, com uma densidade de 2,5 g/cm3 , precipita mais lentamente e é desprezada com a água. Esse procedimento é hoje pouco usado, pois os depósitos de ouro estão quase esgotados.

Modernamente, as rochas contendo traços de ouro são moídas e o ouro é extraído como mercúrio ou cianeto de sódio. A água e a rocha moída são passadas sobre o mercúrio, no qual o ouro dissolve-se formando uma amálgama. O ouro é recuperado destilando-se a amálgama, com o que se separa o mercúrio, que pode ser reaproveitado. No Brasil, esse procedimento tem sido utilizado com água dos rios e areia aurífera. As perdas de mercúrio contaminaram consideráveis trechos de rios da Bacia Amazônica, provocando problemas ambientais. No "processo do cianeto", as rochas moídas são tratadas com solução de 0,1% a 0,2% de NaCN em água, e aeradas.

4Au + 8NaCN + 2H2O + O2 à 4Na[Au(CN)2] + 4NaOH

O complexo argentocianeto de sódio é solúvel, separando-se assim o ouro do restante da rocha. Dessa solução o ouro é precipitado, adicionando-se Zn em pó. A produção mundial de ouro foi de 1785 toneladas em 1988, e os principais produtores forma a África do Sul (35%), a ex-URSS (16%), Estados Unidos (11%), Austrália (9%) e Canadá (7%).

Os principais usos do ouro incluem seu emprego como ouro em barra, que serve como padrão monetário internacional e a joalheria. O ouro empregado em joalheria é geralmente uma liga com uma mistura de Cu e Ag. Essas ligas conservam a cor dourada, mas são mais duras. A quantidade de ouro presente nas ligas é expressa em quilates. O mouro puro tem 24 quilates. As ligas geralmente têm 9 quilates, 18 quilates e 22 quilates, que contêm respectivamente 9/24, 18/24 e 22/24 de ouro puro. Pequenas quantidades de ouro são usadas para fabricar contatos elétricos resistentes à corrosão, por exemplo em computadores. Uma película fina de 10-11 m de espessura é ás vezes depositadas sobre vidros de janelas de edifícios de luxo. Essa fina película metálica reflete no verão o calor indesejado do sol, evitando aquecimento do interior do edifício. No inverno, a película conserva o calor interno.

Em galvanoplastia, a douração é utilizada na indústria micro-eletrônica devido à excelente condutibilidade do ouro (depois da prata e cobre).

Algumas reações podem ser citadas:

Au + HNO3 + 4HCl à H[AuCl4] + NO + 2H2O
2H[AuCl4] + 3H2S
à Au2S + S + 8HCl
2H[AuCl4] + 3H2C2O4
à 2Au + 8HCl + 6CO2
2H[AuCl4] + 3SnCl2
à 3SnCl4 + 2Au + 2HCl
2H[AuCl4] + 3H2O2 + 8NaOH
à 2Au + 8NaCl + 3O2 + 8H2O